Sabia que o seu futuro
estava nas cartas. Por isso, fazia questão de jogar o baralho diariamente.
Havia aprendido todos os mistérios e truques com o seu avô, que era um mestre
no assunto. Rita, sua mulher, não via com bons olhos esse seu passatempo. Mas,
a verdade é que cada vez mais ele se deixava guiar pelas cartas, que poderiam
deixá-lo num êxtase de felicidade ou levá-lo ao fundo do poço. A combinação
delas é que iria definir o seu destino. E ele gostava exatamente disso: a
expectativa de criar um futuro melhor através do baralho. Vocês pensam que o
Edu adora jogar tarô? Nada disso. O que ele gosta mesmo é de uma bela mesa de
pôquer. E que a sorte venha na próxima rodada.
sexta-feira, 17 de julho de 2015
quarta-feira, 20 de maio de 2015
PASSA, TEMPO
Passa, tempo. E, seja lá
como for, me faça feliz. Traga as paixões que ainda não vivi, os amigos que
ainda não conheci. Me leve a lugares inéditos, me traga descobertas
surpreendentes. Mas, principalmente, faça de mim um cara cada vez mais
apaixonado pela vida. Aliás, não me deixe desperdiçar nem um minuto porque bem
sei que você não volta atrás. Ao contrário, ensina-me a aproveitar cada momento
para amar e ser amado, já que esta é a melhor maneira de se passar o tempo.
Estou fazendo um acordo com o relógio: a partir de agora, aproveitarei cada dia
como se fosse único, porque a vida é um grande milagre. Nossa, como levei tempo
pra perceber isso. Que este seja o início de um belo futuro para todos nós.
Passa segundo, passa minuto, passa hora, passa dia, passa mês, passa ano e a
gente passa feliz.
terça-feira, 10 de maio de 2011
TIA ELISA
Tia Elisa era uma pessoa que quando chegava, enchia a casa. A
alegria dela parecia não ter tamanho: tinha sempre uma boa história pra contar
de alguém da família ou de alguém dos muitos vizinhos de Monte. Amava
verdadeiramente a família: tanto é que teve o Mário, a Suzana, o Zeca e, além
disso, adotou o Marco Aurélio. Pra falar a verdade, eu também me sinto meio
adotado por ela, tamanho o carinho que tinha comigo. Generosa, sempre que nos
visitava trazia presentes pra família inteira, sem
esquecer de ninguém. E, é claro, fazia questão de lembrar a todo instante que a
casa dela e de tio Nélson estava às ordens pra qualquer visita, em qualquer
ocasião. Loura, vistosa, gostava de roupas bem coloridas e alegres. Falava alto,
tinha uma gargalhada deliciosa, gesticulava muito. Não dava mesmo pra passar
despercebida. Tinha fama de durona porque gostava de disciplina e valorizava
muito o trabalho como a base de uma vida tranquila. Ela mesma trabalhou décadas
como professora e a gente percebia que realmente amava o que fazia. Depois que
se aposentou, tia Elisa nos brindou com quadros belíssimos e revelou seu lado
artístico que muitos não conheciam. Severa e sensível, alegre e agitada, ela
foi uma mulher que soube viver generosamente, dando o melhor de si pela
felicidade do marido, dos filhos, da família e dos tantos amigos que
conquistou. Com certeza, deve estar alegrando o céu agora, para a felicidade
dos anjos e querubins.
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