quinta-feira, 10 de setembro de 2015

SOMOS TODOS REFUGIADOS

Eu me sinto um refugiado em meu próprio país. Tento buscar abrigo num emprego seguro, mas isso não existe mais: a qualquer momento, qualquer um de nós pode ser demitido sem maiores explicações. É a crise, uma frase banal que virou justificativa para tudo. Estou cansado de ser bombardeado por escândalos, um após o outro, nesta terra da maracutaia onde todos querem se dar bem. Os corruptos levaram a verba que seria para educação e saúde, e o povo que continue doente e ignorante, com um agravante: o pouco que se ganha ainda é devorado pela inflação, que aumenta todo mês. É nesse cenário de guerra que vamos vivendo o nosso dia-a-dia. Aonde foi parar o amor, a gentileza, a solidariedade diante de tanta ganância? Chegou a hora de nos ajudarmos e darmos as mãos. Ou então, corremos o risco de ver o nosso barco afundar de vez, sem ninguém para nos salvar. Pobre Brasil.
Leia mais...

terça-feira, 8 de setembro de 2015

PERFIL DE PUBLICITÁRIO

Publicitário de verdade tem sensibilidade de pintor pra perceber a melhor combinação de cor e forma. E também habilidade de artesão para amarrar bem as palavras. Ator versátil, ele se transforma em cada consumidor com o qual quer falar. Astúcia de advogado não lhe falta: é preciso defender bem as suas ideias porque certamente elas não vão agradar a todos. E o veredicto é sempre a favor do cliente. Para ser publicitário é preciso sonhar como poeta e racionalizar como executivo. Ser convincente como um vendedor e tão sedutor como um modelo. Arriscar como um operador da Bolsa e no dia seguinte ter a cautela de um cirurgião, que não pode falhar. Muitas vezes, é um atleta que corre contra o tempo. Caçador, mata um leão por dia e se orgulha dos troféus, apesar de ser presa fácil da inveja e da vaidade. O bom publicitário sabe motivar como técnico e jogar como craque. Não é bombeiro, mas apaga incêndios. Não é santo, mas faz milagres. Não é repentista, mas cria na hora. Tem um quê de malabarista pra pular de agência em agência, sempre com medo de cair na rede do desemprego. A grande verdade é que o publicitário, acima de tudo, é um apaixonado por aquilo que faz. Essa é mesmo uma profissão que mexe com a mente e o coração. Aliás, só quem trabalha com propaganda sabe do que estou falando.
Leia mais...

sexta-feira, 17 de julho de 2015

AS CARTAS DA SORTE

Sabia que o seu futuro estava nas cartas. Por isso, fazia questão de jogar o baralho diariamente. Havia aprendido todos os mistérios e truques com o seu avô, que era um mestre no assunto. Rita, sua mulher, não via com bons olhos esse seu passatempo. Mas, a verdade é que cada vez mais ele se deixava guiar pelas cartas, que poderiam deixá-lo num êxtase de felicidade ou levá-lo ao fundo do poço. A combinação delas é que iria definir o seu destino. E ele gostava exatamente disso: a expectativa de criar um futuro melhor através do baralho. Vocês pensam que o Edu adora jogar tarô? Nada disso. O que ele gosta mesmo é de uma bela mesa de pôquer. E que a sorte venha na próxima rodada.
Leia mais...

quarta-feira, 20 de maio de 2015

PASSA, TEMPO

Passa, tempo. E, seja lá como for, me faça feliz. Traga as paixões que ainda não vivi, os amigos que ainda não conheci. Me leve a lugares inéditos, me traga descobertas surpreendentes. Mas, principalmente, faça de mim um cara cada vez mais apaixonado pela vida. Aliás, não me deixe desperdiçar nem um minuto porque bem sei que você não volta atrás. Ao contrário, ensina-me a aproveitar cada momento para amar e ser amado, já que esta é a melhor maneira de se passar o tempo. Estou fazendo um acordo com o relógio: a partir de agora, aproveitarei cada dia como se fosse único, porque a vida é um grande milagre. Nossa, como levei tempo pra perceber isso. Que este seja o início de um belo futuro para todos nós. Passa segundo, passa minuto, passa hora, passa dia, passa mês, passa ano e a gente passa feliz.
Leia mais...

terça-feira, 10 de maio de 2011

TIA ELISA

Tia Elisa era uma pessoa que quando chegava, enchia a casa. A alegria dela parecia não ter tamanho: tinha sempre uma boa história pra contar de alguém da família ou de alguém dos muitos vizinhos de Monte. Amava verdadeiramente a família: tanto é que teve o Mário, a Suzana, o Zeca e, além disso, adotou o Marco Aurélio. Pra falar a verdade, eu também me sinto meio adotado por ela, tamanho o carinho que tinha comigo. Generosa, sempre que nos visitava trazia presentes pra família inteira, sem esquecer de ninguém. E, é claro, fazia questão de lembrar a todo instante que a casa dela e de tio Nélson estava às ordens pra qualquer visita, em qualquer ocasião. Loura, vistosa, gostava de roupas bem coloridas e alegres. Falava alto, tinha uma gargalhada deliciosa, gesticulava muito. Não dava mesmo pra passar despercebida. Tinha fama de durona porque gostava de disciplina e valorizava muito o trabalho como a base de uma vida tranquila. Ela mesma trabalhou décadas como professora e a gente percebia que realmente amava o que fazia. Depois que se aposentou, tia Elisa nos brindou com quadros belíssimos e revelou seu lado artístico que muitos não conheciam. Severa e sensível, alegre e agitada, ela foi uma mulher que soube viver generosamente, dando o melhor de si pela felicidade do marido, dos filhos, da família e dos tantos amigos que conquistou. Com certeza, deve estar alegrando o céu agora, para a felicidade dos anjos e querubins.
Leia mais...